Casa Batatinha

No número 68 da Ladeira dos Aflitos, na cidade de Salvador, a memória do sambista Batatinha persiste e insiste. É lá que funciona o bar Toalha da Saudade, nome retirado de uma das canções do compositor e mais do que apropriado para o espírito que cerca todo o lugar. Criado em 1982 por iniciativa dos seus filhos Artur e Carlos, o bar figurou desde então como ponto de encontro entre artistas, intelectuais e boêmios de diversas gerações.

O clima sempre foi amistoso e receptivo, e durante muitos anos teve como anfitrião o próprio Batatinha, que não se envolvia nos assuntos administrativos do estabelecimento, mas cumpria muito bem a sua parte, para a qual tinha uma espécie de talento nato. A ele cabia o papel de fazer as honras do local, “fazer sala” para colegas e parceiros e, por vezes, entreter o público presente. Não eram raros os momentos de samba na casa, para o qual ela parecia ter sido destinada desde sua fundação.

Desde o bar até o serviço das mesas, tudo ficava a cargo da família, sob o olhar atento da matriarca Dona Marta. Muitos de seus filhos saíram à arte e cuidaram da ornamentação do ambiente, das esculturas lá dispostas às pinturas pelas paredes, passando pelas mesas e bancos entalhados em troncos de coqueiros, tudo ali remete à história da família de Oscar da Penha.

É com esse espírito familiar e descontraído, fazendo jus ao antigo anfitrião, que o número 68 da Ladeira dos Aflitos continua lá. Hoje em dia, sedia não só o bar, mas todo um conjunto de iniciativas culturais abrigadas sob a Fundação Casa Batatinha, que tem por objetivo manter o legado do diplomata do samba baiano. É só chegar, se acomodar e conferir o som da Batatacústica, banda composta por seus filhos e neto, para perceber que a memória do saudoso mestre permanece entre nós. Mais viva do que nunca.

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